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Paula

A Algum tempo atrás a J. escreveu Como me descobri, onde ela fala um pouquinho sobre como foi pra ela o entendimento sobre a sua orientação sexual. Ainda hoje recebemos emails e comentários sobre o assunto. A Paula escreveu recentemente pra gente e decidimos compartilhar com vocês mais uma experiência.

Olá meninas, já tem um tempinho este post, mas espero que ainda dê tempo de participar dessa conversa, rs.

Então, vou tentar resumir a história, porque se eu for contar todos os pormenores vocês nem irão ler, rs. Alguns momentos da minha vida, foram um pouco parecidos com a vida da J. (dona desta página), quando eu era criança só usava calça e blusa mais larga e tênis, até porque na escola eu gostava muito de brincar com tudo que fizesse meu corpo se movimentar, eu gostava de jogar vôlei, futebol, pular corda, amarelinha, e talz, e tudo isso exigia roupas que permitissem maior flexibilidade ao corpo. Eu fui uma criança muito ativa. Noentanto, minha mãe sempre ficava modulando meus modos, ela falava como eu deveria andar, quais brincadeiras brincar [inclusive me proibia de brincar com meninos], como deveria me sentar etc. Eu que até então, nem havia reparado que existiam brincadeiras de meninas e brincadeiras de meninos passei todo resto da infância e adolescência com aquelas paranóias da minha mãe latejando na minha cabeça. Teve um período que eu fiquei super grilada comigo por não ser a bonequinha de porcelana que minha mãe sempre quis e a coisa me mais me magoava [numa profundidade infinita] era que os outros pensassem que eu parecesse menino ou que fosse lésbica [hoje não ligo a mínima pro que os outros pensam ou deixam de pensar]. Tive alguns vizinhos que me zoavam, um me chamava de Maria João, outro disse, num dia em que eu estava com uma amiga [e a gente era só amiga mesmo até porque naquela época eu nem sabia direito o que era ser lésbica], que se minha amiga não ficasse com ele, ele diria pra todo mundo que éramos lésbicas. Ela não era, eu não era (?), ou pelo menos não sabia. Mas tinha aquela necessidade urgente de gritar aos quatros cantos que não era, convenci minha amiga a ficar com o menino. Aos 18 entrei na faculdade, e continuava repunando o que os outros pensavam de mim e a alardear minha pseudo heterossexualidade. Há um tempo atrás comecei a pensar mais num monte de coisas da minha vida, nas amizades nos ex namoradOs… resulta o seguinte: minhas melhores amigas namoram há sete anos [sim, namoro lésbico] e nos conhecemos já tem esse tempo aí, os caras com quem eu me relacionei de forma mais séria, um tempo depois que nossos relacionamento ía terminando eu ouvia boatos ou via algo que colocava em xeque a heterossexualidade deles: quatro sob suspeita, três confirmados, hahahaha.

Voltando a falar só de mim…, houve algum momento que Freud veio bater um papo reto com meu inconsciente e um monte de coisa começou a se juntar (se estão mesmo ligados tais fatos não sei, mas foi minha forma de organizar e compreender tudo isso) comecei a juntar, meu comportamento na infância (apesar de que como falou uma colega em algum comentário: identidade de gênero é muito diferente de identidade sexual), meu gosto por esportes (não que mulheres héteros não gostem), minha ausência de “frescura” (eu fazia judô e nunca ficava chateada por quebrar a unha ou algo parecido, mas eu não sou “butch”, rsrsrs), juntei os ex que sempre tinham uma ausência do esteriótipo do masculino etc. Nas férias do meio de ano de 2011 (eu estava com 20 anos) eu estava assistindo filmes em espanhol, e encontrei o HABITACIÓN EN ROMA (com as atrizes Elena Anaya e Natasha Yarovenko, e do diretor Julio Médem) e lá pelas tantas n

o filme (que é predominantemente com as duas mulheres nuas) percebi que estava excitada. O filme terminou, e eu pensando ainda naquilo tudo comecei a ler um monte de coisas em blogs lésbicos, assisti mais um monte de filmes lésbico (românticos, please, rs, ah, se mais alguém aí gostar assistam ELENA UNDONE).

Aí depois de alguns lances inconscientes se tornarem conscientes, compreendi meu desejo, respeito e admiração pelas mulheres, talvez seja porque nós somos mais carinhosas, nos importamos mais (é isso que importa pra mim). Enfim moças, é mais ou menos isso aí, não teve muito uma data, um dia que acordei e “páh” eu gosto de mulher, na verdade foi uma sucessão fática. Beijas “çás” lindas =]

 

Obrigada Paula por compartilhar sua história com a gente. E vem contar sua história pra gente também ;)