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Lesbianidade e adolescência – O que queríamos ver na televisão à tarde

“Fucking Åmål”, adaptado para o português como “Amigas de Colégio”, é um filme sueco de 1998, com direção e roteiro de Lukas Moodyson. O encontrei por acaso enquanto pesquisava pela milésima vez listas de filmes com temática LGBT, um dos fatos que mais me chamou atenção é que o filme foi um sucesso na Suécia, desbancando o blockbuster Titanic. Quando li esse dado meu mundo parou, surgiu aquela pergunta: “Quando um filme brasileiro tratando sobre lesbianidade (e ainda mais na adolescência) ocuparia o primeiro lugar de bilheteria???”. Sabemos que as produções com temática LGBT são escassas, quando pensamos na representação de lésbicas se torna ainda mais rara. Além do sucesso de bilheteria o filme foi premiado com quatro Guldbagge (premiação sueca de cinema mais disputada) e o prêmio Teddy do Festival de Cinema de Berlim de 1999.

O filme é sobre Agnes interpretada por Rebecka Liljeberg e Elin por Alexandra Dahlström, duas adolescentes com personalidades muitos diferentes. Agnes é reservada e tem dificuldades em se relacionar com seus colegas de escola, tendo como companhia uma única amiga Viktoria (Josefin Nyberg), a qual ela eventualmente se desentende, sendo que Agnes e Viktoria eram constantemente excluídas, Agnes por conta de sua sexualidade e Viktoria por ser cadeirante. Elin tem uma vida social muito ativa, é desejada e se enturma com os mais populares da escola, incluindo sua própria irmã que lhe acompanha a maior parte do tempo. A aproximação das duas surge com uma aposta entre as duas irmãs em que Elin beija Agnes.

Agnes e Elin são garotas de 14 anos descobrindo a sexualidade, ao passo que Agnes é apaixonada por Elin, Elin se relaciona com garotos, só refletindo sobre sua sexualidade após o primeiro beijo com Agnes, uma perspectiva interessante que dialoga com o conceito de heteronormatividade compulsória. O título “Fucking Åmål” é uma referência na cidade em que o filme se passa no interior da Suécia, criticada principalmente por Elin como atrasada diante do progresso da capital Estocolmo e dos Estados Unidos. Uma das coisas que me surpreenderam é a grande influência estadunidense mostrada através do consumo de produtos, revistas e imaginário das personagens.

As reações dos outros personagens mediante a sexualidade das garotas é também trabalhada com atenção. Do bullyng na escola sofrido por Agnes que vai do nojo expressado pelas meninas a hiperssexualização e fetichização dos meninos em relação à lesbianidade. Até mesmo as relações familiares são colocadas em questão, a mãe de Agnes ao ouvir através de boatos que a filha é lésbica resolve invadir sua privacidade lendo trechos de seu diário. Apesar do ritmo lento do filme, pode ser uma boa opção para discutir sexualidade em escolas com grupos de adolescentes é um filme bem leve e com potencial de render boas discussões. Não quero dar spoilers do final, mas trata-se literalmente de uma saída do armário.

Assistam e comentem!!!

Fontes: IMDB http://www.imdb.com/title/tt0150662/

Wikipedia: https://pt.wikipedia.org/wiki/Fucking_%C3%85m%C3%A5l

Confira o trailer:

Feminista, apaixonada por literatura, mas também entusiasta de outras linguagens artísticas, é pesquisadora mestranda na área de violência contra mulher e em autoria feminina na literatura pelo Núcleo de Estudos Interdisciplinares sobre a Mulher da Universidade Federal da Bahia. Como escritora versa muito sobre amor e erotismo entre mulheres em suas poesias e contos. Vive em Salvador com sua felina chamada Elza.

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