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Incompatibilidade sanguínea e a doença hemolítica do recém nascido

O meu texto de hoje é sobre um tema que assombra a vida de muitas grávidas ou futuras grávidas: a incompatibilidade sanguínea entre mãe e bebê e a temida eristoblastose fetal (ou doença hemolítica do recém-nascido).

Entre nós, mulheres homossexuais, talvez esse problema seja mais “incomum”, já que podemos escolher nossos doadores (sejam eles conhecidos ou anônimos) e, com isso, optar por um doador com o mesmo tipo sanguíneo que o nosso. Mas nem sempre isso é possível e o problema pode vir a acontecer!

E, como eu sei que existem muitas dúvidas sobre esse tema, resolvi fazer esse post através de um texto muito explicativo que li nesse blog.

Segue abaixo o texto elaborado pela blogueira Lia sobre incompatibilidade sanguínea, na íntegra:

Sou O-. Ele, A+. Nunca dei bola pra isso, até engravidar. Tinha aprendido na escola sobre a eristoblastose fetal, ou doença hemolítica do recém-nascido. “Mas não se preocupe”, me diziam. “Só dá problema no segundo filho”. Legal. Só que eu queria e continuo querendo três.

No início da gestação comecei a pesquisar sobre o assunto. Não achei nada que me deixasse completamente tranquila. Apenas com o acompanhamento pré-natal e o tempo comecei a sossegar. O começo da gravidez é assim mesmo, cheio de inseguranças: será que não é um falso positivo?, será que o saco embrionário está mesmo lá?, será que o bebê está saudável? Pra mim, essas inseguranças diminuíram muito a partir do segundo trimestre, e relaxei também quanto à incompatibilidade dos fatores RH meu e do meu marido.

E qual o problema da incompatibilidade sanguínea?

Quando a mãe tem RH negativo e o pai tem RH positivo, o bebê pode herdar o fator sanguíneo do pai. No nascimento – seja de parto normal ou cesárea –, o sangue do bebê pode entrar em contato com o sangue da mãe. O organismo da mãe então interpreta a presença do fator positivo como um estranho e desenvolve anticorpos para combatê-lo. Numa gestação seguinte, caso o próximo bebê também tenha RH positivo, esses anticorpos o atacarão ainda no útero. Normalmente não há problemas com o primeiro filho porque o sangue não atravessa a placenta. Mas os anticorpos, que a mãe desenvolveu no primeiro parto, atravessam.

O ataque dos anticorpos ao feto destrói suas hemácias e pode causar desde icterícia até uma anemia severa, que pode levar à morte do embrião. Em alguns casos, pode-se fazer uma transfusão sanguínea com o bebê ainda no útero, procedimento que também traz riscos. Em outras situações, o parto é feito antes que a gestação chegue a termo.

Prevenindo problemas

Em algumas situações excepcionais, o sangue da mãe pode entrar em contato com o sangue do bebê ainda no útero. Ela criará anticorpos que já começarão a atacar o primeiro filho. Nesses casos, é feita a transfusão ou o parto prematuro. Mas, via de regra, isso não acontece e é bem fácil prevenir problemas com os filhos seguintes.

O primeiro passo é fazer um exame pra detectar a presença desses anticorpos no sangue da mãe. Mesmo sendo a primeira gestação, ela pode já ter entrado em contato antes com um sangue de fator positivo, em uma transfusão, por exemplo. Além disso, existem esses casos raros que mencionei acima em que há contato sanguíneo dentro do útero. Esse exame se chama Coombs direto e é pedido a todas as gestantes RH negativo quando o pai é RH positivo.

Estando tudo bem, a mulher toma uma vacina (na verdade, é um soro) chamada Rhogan em torno da 29ª semana de gestação. Ela vai prevenir a criação dos anticorpos quando o sangue da mãe e do bebê se encontrarem.

Depois do parto, é feito o exame de tipagem sanguínea do bebê. Caso ele herde o sangue da mãe, nada mais precisa ser feito. Caso a criança tenha fator RH positivo, a mãe recebe mais uma dose da Rhogan. Há um prazo para essa segunda dose, 72h após o parto, se não me engano. Com esses cuidados, a chance de ocorrerem problemas com as gestações seguintes é bastante pequena – menos de 1%, de acordo com minhas pesquisas.

Meu caso

Meu Coombs deu negativo, como esperado. Tomei a Rhogan na 29ª semana (não dói, viu pessoal?). Depois disso a médica não pede mais o Coombs, porque o resultado pode dar alterado devido à vacina.

No dia seguinte ao parto, deram o resultado da tipagem sanguínea da Emília: A+. Tomei então a segunda dose da Rhogan.

Ela não teve anemia e nem mesmo uma leve icterícia. Ficou branquinha o tempo todo. Na próxima gestação, farei novamente os mesmo procedimentos: exame de sangue e vacinas.

E o resto é mito…

– Casais com incompatibilidade sanguínea só podem ter um filho – como eu disse, com a prevenção é muito improvável que haja problemas nas gestações seguintes.

– Se a mulher for RH positivo e o marido, negativo, também pode haver problemas – a doença hemolítica do recém-nascido só pode ocorrer se a mãe tiver fator negativo e o bebê tiver fator positivo.

– Só bebês com fator RH diferente da mãe desenvolvem icterícia – a incompatibilidade ABO também pode causar icterícia. É bastante comum, inclusive.

– Quando o casal tem incompatibilidade sanguínea, os filhos seguintes nascem mongoloides! – nem preciso comentar, mas foi algo que ouvi durante a gestação…

Feminista, de esquerda, pisciana, vegetariana, apaixonada pela natureza, arte e literatura.

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