Top

História de uma família colorida: Tailine, Liz e Riann

Hoje na coluna teremos a história da Liz e da Tailine, duas moradoras de São Gonçalo/RJ que há 1 ano realizaram o sonho da maternidade através do Riann!

Eu (Tailine) e Liz nos conhecemos em meados de agosto de 2006. Entre olhares e telefonemas infindáveis, surgiu o primeiro beijo e, com ele, a certeza de que queríamos ficar juntas! Assim, no dia 8 de Setembro de 2006, começamos a namorar.

De pronto resolvemos contar às nossas mães! Com a minha foi muito tranquilo: ela ficou do nosso lado e caiu de amores pela Liz! Já com a mãe dela foi bem diferente: minha sogra foi veementemente contra, começou a dificultar muito nossa vida e a humilhar a própria filha, como se agindo dessa forma fosse fazer com que nos afastássemos. Ela não percebia que estava afastando a Liz gradativamente, fazendo com que o mundo cor de rosa onde a mãe era a principal personagem se desmoronasse frente à nova realidade.

Entre trancos e barrancos fizemos 1 ano de namoro, decidimos sair de casa e assim fizemos. Em dezembro de 2007 estávamos morando juntas. Começava ali a nossa família e, com ela, um novo caos se instala em nossas vidas: entre ameaças de suicídio e crises intermináveis fomos construindo nossa estória.

Em junho de 2008 decidimos fazer o contrato de união estável a essa altura minha sogra já não ligava mais para a nossa união, decidiu simplesmente largar de mão.

Nossa vida entrava nos eixos, porém, ainda não estava completa: o desejo de termos um filho voltava a todo fervor. Apesar da vontade de ampliarmos nossa família, ainda relutamos um pouco, afinal, só então estávamos conseguindo respirar melhor, sem cobranças e sem crises.

Em 2011 veio a certeza que estava na hora de termos nossa filho: nossa vida já estava mais estável, minha sogra embora deixasse claro que nunca se conformaria com uma filha homossexual havia aceitado facilitar a convivência e minha mãe já começava a falar em netos.

Embora estável, a grana era curta para pensar em uma FIV, o processo de adoção era muito demorado e a ansiedade era gritante, como se nossa vida fosse se concretizar com a chegada dele, nosso menino, nosso moleque. Um grande amigo se propôs a ser o doador e novas inseguranças surgiram até que em uma consulta habitual com a ginecologista surgiu o comentário do nosso desejo de sermos mães e a referida proposta de nosso amigo. Nossa médica se prontificou a ajudar e, a partir daí, começou uma bateria de exames feitos de um lado e de outro e, aproximadamente 1 mês depois, estávamos grávidas!

Começava uma nova fase em nossas vidas!

Hoje nosso pequeno Riann está com 1 aninho, minha família vibra com cada conquista dele: o primeiro dentinho, o primeiro sorriso, as palhaçadas! Minha sogra faleceu quando nosso moleque estava com 3 meses de vida, mas, durante o pouco tempo que esteve com ele, o curtiu intensamente.

Nesse ínterim conseguimos a conversão da nossa união estável em casamento civil: mais uma conquista, mais um sonho realizado.

O doador não se mete em nada relacionado à vida do Riann, pouquíssimas pessoas sabem quem ele é e preferimos que continue assim.

Agora estamos entrando com o processo de adoção unilateral (para que eu, Tailine, seja reconhecida também como mãe do Riann), uma vez que a inseminação caseira não é legalizada e de jeito nenhum poderíamos envolver a médica que foi nossa fada madrinha.

Mais uma luta e, assim, vamos há 7 anos conquistando nossos sonhos!

***

Se você também gostaria de ver a história da sua família aqui na coluna, deixe uma mensagem abaixo com seu nome e email e em breve entrarei em contato!

Feminista, de esquerda, pisciana, vegetariana, apaixonada pela natureza, arte e literatura.