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História de uma família colorida: Ká, Mi e Brunna

Ká, Brunna e Mi

A partir de hoje, na minha coluna, darei início a uma série de histórias sobre famílias formadas por 2 mamães!

Serão depoimentos de famílias de todos os cantos do nosso país, contando suas vidas, desafios e alegrias!

Para estrear a série, hoje teremos a história da e da Mi, duas gaúchas moradoras de Porto Alegre que, com a filhota Brunna, de 3 aninhos, concretizaram o sonho da maternidade e hoje formam uma feliz família colorida!

Nos conhecemos em 2003 no nosso local de trabalho, mas só viemos a ficar juntas em novembro de 2005. Em apenas 2 meses de namoro fomos morar juntas. Desde sempre falávamos em ter a nossa princesinha, mas a união estável só veio a ser realizada 1 ano e meio após seus nascimento. Acho que queríamos ter certeza de que realmente daria certo. A princípio pensamos em adoção, procuramos o foro central da nossa cidade, passamos por muitas entrevistas com psicóloga e assistente social, tudo em vão. Não nos concederam a habilitação por puro preconceito. Ainda passamos por algumas decepções diante de adoções consensuais e decidimos partir em busca de uma clínica de reprodução assistida. Optamos que a mais velha engravidaria (Ká) não somente pela idade, mas pelo desejo maior da gravidez vir também da mais velha. Ficamos um ano na tentativa, a primeira foi por Inseminação Artificial e as outras três, Fertilização in Vitro. Nossa filha veio na quarta tentativa de FIV! Nossas famílias apoiaram e estiveram presentes a cada etapa vivida e até hoje é assim. A Brunna é o xodó da família! Ela tem apenas o nome da mãe biológica (Ká), pois até iniciamos o processo para registrá-la no nome de ambas, mas infelizmente a burocracia é tanta que não aceitamos certas exigências que nos foram impostas, principalmente por ser no mesmo foro central e com as mesmas profissionais que não nos permitiram a habilitação para adotar. Fomos a uma entrevista com assistente social e desistimos. Conversamos e decidimos que quando nossa filha estiver maior e se essa for a sua vontade, voltaremos ao assunto. Na escola (ela já está na terceira) sempre foi muito tranquilo o fato da Brunna ter duas mamães. Os colegas e as famílias aceitam normalmente, respeitam e até admiram. Acreditamos que isso tudo é devido nossa filha ser uma criança iluminada, super bem resolvida e que ama demais as pessoas a sua volta. Seu jeitinho conquista a todos e o fato dela ter duas mães se torna apenas um detalhe, que a torna ainda mais especial, pois ela mesma conta a sua história com orgulho e carinho. Impossível não se apaixonar! A Brunna nunca teve necessidade de questionar a nossa formação familiar, pois já nasceu nesse meio, para ela tudo sempre foi muito natural, como deve ser. Ela sabe que existem famílias compostas por pessoas de todos os tipos e que anormal é não ter amor numa família. Graças a Deus, tirando o episódio do foro central (que realmente não preza pelo bem estar da criança, pois senão agiria diferente), nunca enfrentamos situações de preconceito com a nossa família. Atualmente temos uma princesinha linda e muito amada, de 3 aninhos. Não sabemos ainda se teremos mais um(a) filho(a).

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Feminista, de esquerda, pisciana, vegetariana, apaixonada pela natureza, arte e literatura.