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Convivendo com a Depressão

Eu, Angélica, conheço a depressão a 20 anos, bom, conheço exatamente não, convivo com ela, pois na verdade cada vez que nos encontramos percebo que não conheço 50% do que ela pode me mostrar. Muito a me ensinar também! Ensinar? Sim, muito a ensinar sobre mim mesma, durante esses 20 anos entre tratamento ou não, a depressão me ensinou sobre mim mesma!

Depressão é aquele parente chato, que quando você acha que sumiu, aparece pra te atormentar passando uma temporada escorado em você, com o passar dos anos você percebe de que forma esse parente te incomoda mais, em que momento incomoda mais, estratégias pra se livrar dele ou pra conseguir viver sua vida e seguir sua rotina mesmo com ele ali, escorado e forçando a barra pra não ir embora. Esses parentes que sempre chegam sem avisar, as vezes podem ficar por uma semana ou também por meses ali, atrapalhando sua vida, seus planos, suas relações com outras pessoas, até seus momentos de descanso e por mais que grite com ele, implore pra ela ir embora, ele não se toca. Esse parente é a depressão, certamente!

Entre tudo que aprendi sobre mim com a presença e ausência desse parente, aprendi muitos sobre os outros também, sobre a estrutura pressora da sociedade e o quanto ela adoece as pessoas. Racismo, machismo, gordofobia, homofobia e daí por diante, agora algo precisamos ter claro: quando nascemos pessoas negras, desde a maternidade o mundo inteiro gira em prol do seu enfraquecimento físico e psicológico, daí por diante ser mulher e ser negra, ser negro ou negra e LGBT, gordo ou gorda, são gatilhos muito munidos para padeçamos na solidão, tristeza e consequentemente chegamos a depressão. Porém, quando somos atingidos por esta doença dificilmente conseguimos enxergar que são esses aspectos que nos levam a adoecer, pra ser mais objetiva, a sociedade Heteronormativa e branca é quem nos adoece e mata todo dia.

Alguns dados sobre a depressão, para nos mantermos atentas e praticarmos o autocuidado.

 

 

Me chamo Angélica Albuquerque da Silva, tenho 28 anos, sou museóloga formada pela Universidade Federal do Pará e pós graduada em Gestão e docência do Ensino superior. Idealizadora do Projeto Zhinga, que visa auxiliar e incentivar o empoderamento da mulher negra através da estética, auto cuidado e auto conhecimento.